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Quanto custa um inventário extrajudicial? Honorários, ITCMD e cartório

Não tem resposta única. Depende do tamanho do patrimônio, do estado, se há isenção de ITCMD e quantos imóveis estão envolvidos. Veja a tabela escalonada e a simulação real pra cada faixa.

Publicado em 15 de abril de 2026 · Última atualização: 24 de abril de 2026 — inclusão de tabela escalonada por faixa de patrimônio, seção sobre prazo de recolhimento ITCMD SP, menção à EC 132/2023 e link pra calculadora de inventário.

Filippe Libardi Neves

Filippe Libardi Neves

OAB/SP 399.324 · Advogado Imobiliário

Calculadora sobre documentos de inventário com notas de real brasileiro, representando os custos do inventário extrajudicial
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Não dá pra responder "quanto custa" sem saber o tamanho do patrimônio. O imposto sozinho — o ITCMD em São Paulo — é 4% sobre o valor dos bens. Num imóvel de R$ 400 mil, são R$ 16 mil só de imposto, antes mesmo do advogado e do cartório. Vou mostrar a tabela completa por faixa, os três blocos de custo, quando você não paga ITCMD nenhum, e o que muda com a Reforma Tributária.

🧮 Quer pular pra estimativa? Use a calculadora de inventário extrajudicial — em 2 minutos ela devolve a faixa de custo total do seu caso, com base no estado e no valor do espólio.

Os três blocos de custo

O custo do inventário extrajudicial tem três componentes. Nenhum é opcional.

  • check_circle Honorários do advogado. A presença do advogado é obrigatória por lei (art. 610, §2º do CPC), mesmo no cartório. A tabela da OAB/SP (item 35) sugere 6% sobre o valor do patrimônio, com piso mínimo na casa dos R$ 4.300 em 2026. Em casos simples, costumo cobrar valor fixo a partir de R$ 5.000.
  • check_circle Emolumentos do cartório. São dois custos distintos: a escritura no Tabelionato de Notas (lavratura do inventário) e o registro da partilha na matrícula do imóvel (Cartório de Registro de Imóveis). Para um patrimônio de R$ 400.000 em SP, somando os dois, fica entre R$ 5.000 e R$ 8.000.
  • check_circle ITCMD (imposto estadual sobre herança). Cada estado tem sua alíquota. Em São Paulo, é 4% sobre o valor venal dos bens (Lei 10.705/2000). Em outros estados, varia entre 2% e 8%, podendo ser progressivo. A EC 132/2023 tornou a progressividade obrigatória em todo o país, com teto de 8% — os estados estão adaptando suas legislações.

💡 Aprofunde: entenda em detalhes por que o advogado é obrigatório no inventário extrajudicial e como funciona a regra do advogado comum entre herdeiros — saber isso antes ajuda a planejar o orçamento total da família.

Tabela escalonada: quanto custa por faixa de patrimônio (SP, 2026)

Os números abaixo são estimativas pra inventário extrajudicial em SP, com partilha consensual entre herdeiros maiores. Considera ITCMD de 4% sem isenção, honorários no piso da OAB/SP, e emolumentos médios.

Patrimônio ITCMD (4%) Cartório Honorários Total estimado
R$ 100 mil R$ 4.000 R$ 2.500 – 3.500 R$ 5.000 (piso) R$ 11.500 – 12.500
R$ 250 mil R$ 10.000 R$ 3.500 – 5.000 R$ 5.000 – 8.000 R$ 18.500 – 23.000
R$ 400 mil R$ 16.000 R$ 5.000 – 8.000 R$ 5.000 – 12.000 R$ 26.000 – 36.000
R$ 750 mil R$ 30.000 R$ 7.500 – 11.000 R$ 12.000 – 25.000 R$ 49.500 – 66.000
R$ 1,5 milhão R$ 60.000 R$ 11.000 – 16.000 R$ 25.000 – 60.000 R$ 96.000 – 136.000
R$ 3 milhões R$ 120.000 R$ 16.000 – 22.000 R$ 60.000 – 150.000 R$ 196.000 – 292.000

Valores aproximados, atualizados pra 2026. Honorários acima de R$ 1 milhão tendem a ser negociados em percentuais menores que 6% — patrimônios maiores raramente fecham na tabela cheia. Em qualquer faixa, isenção de ITCMD pode reduzir o total em até 60%.

Simulação real: patrimônio de R$ 400.000 em SP

Pra deixar concreto. Um apartamento em Piracicaba avaliado em R$ 350.000, um carro de R$ 40.000 e uma poupança de R$ 10.000. Total do espólio: R$ 400.000.

Honorários advocatícios: R$ 5.000 a R$ 8.000
Escritura (Tabelionato de Notas): R$ 2.500 a R$ 4.000
Registro da partilha (Registro de Imóveis): R$ 2.500 a R$ 4.000
ITCMD (4% em SP): R$ 16.000
Certidões e protocolos: R$ 800 a R$ 1.500

Total estimado: R$ 27.000 a R$ 33.000

Parece muito. Mas o custo de não fazer é pior. Sem inventário, o imóvel fica travado no nome do falecido. Ninguém vende, ninguém financia, ninguém usa como garantia. Um imóvel de R$ 350.000 sem documentação regular vale R$ 230.000 a R$ 280.000 no mercado. A desvalorização é maior que o custo do inventário.

Atenção a um detalhe técnico: se a partilha for feita de forma desigual — por exemplo, um herdeiro fica com o imóvel e os outros com dinheiro como reposição (tornas) — pode incidir ITBI municipal sobre a parte que excede o quinhão. Confirma-se caso a caso, mas vale ter no radar antes de fechar a partilha.

Prazo de recolhimento do ITCMD em SP (e desconto de 5%)

Em São Paulo, o ITCMD deve ser recolhido antes da lavratura da escritura (no extrajudicial) ou em até 30 dias da decisão homologatória do cálculo (no judicial).

Mas tem uma janela de oportunidade: a Lei 10.705/2000, art. 17, §2ºdesconto de 5% no ITCMD se a guia for emitida em até 90 dias do óbito. Num imposto de R$ 16.000, são R$ 800 economizados — costuma cobrir parte dos honorários iniciais.

Acima de 60 dias do óbito, começa a multa por atraso. As faixas em SP:

  • arrow_forward 10% de multa entre 60 e 180 dias de atraso
  • arrow_forward 20% de multa após 180 dias de atraso

Soma o desconto perdido (5%) com a multa máxima (20%) e tu tem uma diferença de até 25% no ITCMD entre fazer rápido e fazer atrasado. Em valores: num ITCMD de R$ 16.000, isso é R$ 4.000 jogados fora. Saiba mais sobre a multa por atraso no inventário.

E se o patrimônio for menor?

Quanto menor o patrimônio, menor o ITCMD e os emolumentos. Mas os honorários do advogado têm um piso — ninguém faz um inventário por R$ 1.000 porque o trabalho é o mesmo independente do valor dos bens.

Patrimônio de R$ 150.000 (uma casa simples + poupança pequena), sem isenção: o custo total fica em torno de R$ 12.000 a R$ 15.000. Mas tem um detalhe que muda completamente esse cálculo: a isenção de ITCMD.

Quando você não paga ITCMD em SP

A Lei 10.705/2000 (art. 6º) prevê três situações de isenção total do ITCMD em SP. Se o caso se enquadra em uma delas, o imposto cai pra zero — e o custo do inventário despenca.

  • savings Imóvel único de residência da família, até 5.000 UFESPs — em 2026, R$ 192.100. A família precisa residir nele e não pode ter outro imóvel. Esse é o cenário mais comum nos casos que atendo.
  • savings Imóvel único, qualquer destinação, até 2.500 UFESPs — em 2026, R$ 96.050. Não precisa ser residência, mas precisa ser o único imóvel do espólio.
  • savings Depósitos bancários até 1.000 UFESPs — em 2026, R$ 38.420 por instituição financeira.

Voltando ao exemplo: aquele patrimônio de R$ 150.000 com casa única de residência da família? ITCMD = zero. O custo total do inventário cai pra R$ 9.000 a R$ 11.000 — só honorários, cartório e certidões.

A isenção não é automática. Precisa ser pleiteada na declaração à Sefaz/SP, com documentos que comprovem o enquadramento. É papel do advogado identificar o caso e protocolar o pedido. Cliente que não sabe que existe isenção paga o imposto à toa. Veja em detalhes as 5 estratégias legais pra pagar menos ITCMD.

O que muda com a Reforma Tributária (EC 132/2023)?

A Emenda Constitucional 132/2023 tornou obrigatória a progressividade do ITCMD em todo o país, com teto de 8%. Cada estado precisa adaptar sua legislação. São Paulo, em 2026, ainda aplica a alíquota linear de 4% — adaptação prevista mas ainda não vigente.

O que isso significa na prática: famílias com patrimônio acima de R$ 500 mil têm uma janela de oportunidade antes de SP migrar pra alíquota progressiva. Quando a lei estadual mudar, alíquotas chegarão a 8% no topo. Antecipar inventário ou planejar doação em vida com usufruto pode travar a alíquota atual de 4%.

Estados que já aplicam progressividade em 2026: RJ, MG, BA, AL, PB, PE, RN, RR, SE, TO. Pra esses, a tabela acima precisa ser ajustada conforme a faixa local.

E se o patrimônio for alto?

Acima de R$ 1 milhão, os percentuais da OAB pesam. Num espólio de R$ 2 milhões: honorários no piso da tabela (6%) já dão R$ 120.000, o ITCMD vai pra R$ 80.000, mais cartório e certidões. Passa fácil de R$ 210.000 no total.

Em casos assim, planejamento sucessório preventivo (holding familiar, doação em vida, usufruto) costuma sair muito mais barato que o inventário depois. Mas a estrutura precisa ser montada anos antes da sucessão — não dá pra fazer no susto.

Inventário extrajudicial vs. judicial: qual custa mais?

O judicial custa mais. Sempre.

Além dos mesmos custos (advogado, ITCMD, certidões), o judicial tem custas processuais, honorários de avaliador judicial quando há imóveis, e o principal: o tempo. Um inventário judicial leva de 1 a 4 anos, dependendo da comarca e da agilidade do advogado. Casos com vara especializada e sem litígio têm fechado em 8 a 18 meses; com qualquer disputa, vai pros 3 ou 4 anos sem dificuldade. O advogado cobra mais porque acompanha o processo por muito mais tempo. Estimativa de mercado: extrajudicial costuma sair 70% a 88% mais barato que o judicial em patrimônios médios.

Caso real

Três irmãos em Piracicaba precisavam inventariar um apartamento e um carro do pai. Patrimônio de R$ 320.000. Todos maiores e de acordo com a partilha. O custo total do inventário extrajudicial ficou em R$ 22.000 (R$ 5.000 de honorários + R$ 3.800 de cartório + R$ 12.800 de ITCMD + R$ 400 de certidões). Resolvemos em 38 dias. Se tivessem ido pro judicial, gastariam pelo menos R$ 30.000 e levariam 2 anos.

Pra quem está em Piracicaba, Campinas, RMC ou interior de SP, o inventário extrajudicial costuma sair ainda mais previsível porque conheço a tabela dos cartórios da região e os prazos médios da Sefaz local. Conheça o serviço completo de inventário extrajudicial ou, se você está na região, o atendimento focado em Piracicaba.

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Dá pra parcelar?

Os honorários do advogado, sim. A maioria aceita parcelar em 2 a 4 vezes. Eu costumo cobrar 50% na contratação e 50% na lavratura da escritura.

O ITCMD em SP permite parcelamento em até 12 vezes via portal da Sefaz. A primeira parcela é à vista no momento do acordo, e as demais têm juros de SELIC + 1% no mínimo. Em valores pequenos, raramente compensa parcelar — sai mais caro que pagar à vista mesmo com aperto.

Os emolumentos do cartório são pagos à vista no ato da lavratura. Não tem como parcelar.

Existe inventário extrajudicial gratuito?

Não totalmente. O ITCMD e os emolumentos do cartório são obrigatórios e não têm gratuidade no extrajudicial. O que pode ser gratuito é o advogado:

  • arrow_forward Famílias de baixa renda podem ser atendidas pela Defensoria Pública (mas só no inventário judicial, não no extrajudicial direto)
  • arrow_forward Atendimento pro bono via OAB ou clínicas universitárias de Direito (raro pra inventário, mais comum em casos com dimensão social específica)
  • arrow_forward Isenção de ITCMD por imóvel único de pequeno valor (até 2.500 UFESPs) — não é gratuidade, mas reduz drasticamente o custo total

Se a família tem renda média ou alta, "inventário gratuito" geralmente é golpe. Plataformas que prometem isso ou cobram escondido depois ou contratam advogado da casa sem o cliente escolher. Cuidado.

Perguntas frequentes

Quanto custa um inventário extrajudicial em São Paulo?expand_more

Para um patrimônio de R$ 400.000, o custo total fica entre R$ 27.000 e R$ 33.000. Inclui honorários (a partir de R$ 5.000), escritura no Tabelionato (R$ 2.500-4.000), registro da partilha no RI (R$ 2.500-4.000) e ITCMD de 4% (R$ 16.000). Se houver isenção de ITCMD, o total cai significativamente.

Os honorários do advogado são tabelados?expand_more

A OAB de cada estado publica uma tabela de referência, mas os honorários são livremente negociados. A tabela da OAB/SP (item 35) sugere 6% sobre o valor do patrimônio, com piso mínimo de cerca de R$ 4.300 em 2026.

Qual o prazo para recolher o ITCMD em SP?expand_more

O ITCMD deve ser recolhido antes da lavratura da escritura no extrajudicial. Há desconto de 5% se a guia for emitida em até 90 dias do óbito (Lei 10.705/00, art. 17, §2º). Após 60 dias do óbito, incide multa: 10% até 180 dias, 20% após.

O extrajudicial é mais barato que o judicial?expand_more

Sim. No judicial há custas processuais, honorários mais altos pelo tempo de acompanhamento (1 a 4 anos) e eventuais honorários periciais. O extrajudicial resolve em 30 a 60 dias com economia de até 80% em patrimônios médios.

Quando há isenção de ITCMD em SP?expand_more

A Lei 10.705/00 prevê três isenções principais em SP: imóvel único de residência da família até 5.000 UFESPs (R$ 192.100 em 2026), imóvel único de qualquer destinação até 2.500 UFESPs (R$ 96.050) e depósitos bancários até 1.000 UFESPs (R$ 38.420). A isenção precisa ser pleiteada na declaração à Sefaz, não é automática.

Como a EC 132/2023 (Reforma Tributária) afeta o ITCMD?expand_more

A EC 132/2023 tornou obrigatória a progressividade do ITCMD em todo o país, com teto de 8%. SP, em 2026, ainda aplica 4% lineares — adaptação prevista mas ainda não vigente. Antecipar inventário ou doação em vida pode travar a alíquota atual antes da mudança.

Posso parcelar os custos do inventário?expand_more

Os honorários do advogado podem ser parcelados. O ITCMD em SP aceita parcelamento em até 12x via portal da Sefaz, com primeira parcela à vista e juros (SELIC + 1%) sobre as demais. Os emolumentos do cartório são pagos à vista na lavratura.

Existe inventário extrajudicial gratuito?expand_more

Não totalmente. ITCMD e emolumentos são obrigatórios. O advogado pode ser gratuito pra famílias de baixa renda (Defensoria Pública no judicial) ou via pro bono. A isenção de ITCMD por imóvel único pequeno reduz drasticamente o custo total.

Filippe Libardi Neves

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Filippe Libardi Neves · OAB/SP 399.324

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